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Pandemia do deserto

O Senhor levou seu povo ao deserto (Dt 8,2). E levou a humanidade para o deserto ao qual nos reduziu esta pandemia. Com tecnologia poderosa, inteligência artificial surpreendente, o homem caiu na tentação de fazer-se Deus para si mesmo, dispensando Deus e sua lei suprema do amor. As consequências são desastrosas para o “homo Deus”. O problema não é ser igual a Deus, ele mesmo nos criou à sua imagem e semelhança. O problema é querer ser Deus sem Deus. Não dá certo.

 

Estamos de joelhos pela gravidade da situação. Assuntos tabus como a dor, doença e morte estão na pauta do dia. Agora, não somente estamos na era do vazio narcisista, mas na era da angústia. O homem caiu na real. Percebeu que é, sobretudo mortal. Nada como a realidade para mostrar o que somos!

 

Deve levar-se a sério esta situação. No país da piada pronta a morte não dá risada. As consequências são terríveis em número de mortes. Serão maiores com a depressão que se anuncia: privação material gravíssima! É preciso acreditar na ciência e ver a partir da realidade dos fatos. Espera-se pronta resposta da ciência, um remédio eficaz ou uma vacina.

 

Cada um precisa seguir as orientações dos órgãos sanitários mundiais e nacionais competentes. Lideranças que disseminam dúvidas, ódio e divisão devem parar. Há demanda por liderança que tenha moral e saiba coordenar. É preciso derrotar não somente a corrupção egoísta, mas também a incompetência voluntarista que não leva a lugar nenhum.

 

Neste momento o Brasil se encontra consigo mesmo na sua face perversa de campeão da má distribuição de renda e corrupção e de certa “elite do atraso”. É campeão da desigualdade social, econômica e racial. Esta pandemia encontra a maior parte da sociedade fragilizada e dominada pelo medo, não só da Covid-19 que mata, mas também das mortes a que estão condenados os pobres no dia a dia: miséria, fome, desemprego, falta de moradia, desespero…

 

Precisa repensar-se a sociedade que temos e fazer surgir uma nova após este desastre. Apenas uma minoria de privilegiados possui mais de dois terços da riqueza do pais. Há uma constituição boa, um sistema Único de Saúde (SUS) dos melhores, um povo trabalhador, de boa índole, mas o egoísmo e ganância que existem no mundo todo, aqui, superam os limites toleráveis. A injustiça é estrutural e planejada para manter privilégios.

 

É preciso mudar. A mentalidade escravocrata está viva. É a visão do país dividido em dois: o andar de cima pode tudo, tem direito a tudo, o andar de baixo nada pode e não tem direito, a não ser as migalhas que alimenta o povo, para terem forças de servir o andar de cima.

 

Os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e todos os outros segmentos sociais, como empresariado, religiões, artistas, etc, devem dispor-se a partilhar, para o bem de todos. Pensar no bem comum é imperioso. Para isto é necessário ceder alguma coisa, geralmente que não faz falta para quem tem demais. Esta pandemia está mostrando que o esquema de concentração de poder, privilégios e corporativismo está arruinando uma Nação como a nossa.

 

O falso dilema entre preservar a vida humana e a economia de mercado deve ser superado. A vida vem primeiro, o ser vem primeiro que o fazer. Certa vez uma senhora contou-me que foi assaltada. O ladrão lhe disse: ou a bolsa ou a vida e ela no afobamento lhe disse: a vida, porque a bolsa eu preciso dela. Este paradoxo seria cômico se não fosse trágico, mas é ilustrativo.

 

A Palavra de Deus chama à conversão, mas não se a escuta. O pior é que nem se culpa Deus injustamente pela peste como antigamente. Hoje há indiferença:  é como se ele não existisse (sicut Deus non daretur). A maior exigência é a de união, colaboração e empenho em favor da vida. A Campanha da Fraternidade dá o norte para as pessoas de boa vontade: “Viu, teve compaixão e cuidou dele”, referindo-se ao bom samaritano da parábola (Lc 10,30-37).

 

Tudo tem solução. Isto vai passar nos diz a esperança e a história. As mesmas que indicam a solidariedade como solução. A chave para combater com sucesso o Coronavírus é a solidariedade entre todos. Ela é o sinal de que Deus está no meio de nós. E com Ele venceremos porque para Deus nada é impossível ( Lc 1, 37).

 

*Artigo de Dom Pedro Carlos Cipollini para o Diário do Grande ABC

 

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