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Que rei sou eu?

Quando nasceu Jesus, vieram reis magos visitá-lo e presenteá-lo. Mas Jesus nasceu pobre entre os pobres. Também durante sua vida quiseram fazê-lo rei, ele não aceitou. Durante seu julgamento (Jo 18,35ss), Pilatos perguntou se era rei.  Ele disse que sim, mas seu reino “não era deste mundo”.

 

Aproximando o Natal é bom refletir sobre isto, porque Jesus continua reinando através dos séculos, em que pese as ondas contrárias. Quando foi condenado a morrer na Cruz, colocaram sobre sua cabeça a inscrição: “Este é o rei dos judeus”. Isto para sinalizar que era um rei fracassado. Para as autoridades sim. Para o povo que o conhecia, e testemunhou sua vida, ele era mesmo o rei, porém, de “um outro mundo”, com um outro modo de viver.

 

Jesus se mostrou rei de uma realidade que não passa: rei do amor e pelo amor. Este amor que jamais passará (1Cor. 13,8). Jesus não é rei de falsa realeza, com base no poder temporal do dinheiro, fama e dominação violenta sobre os outros. Tudo isso passa, desaparece com o tempo. Os reis que promovem este tipo de reino são esquecidos em pouco tempo, ou lembrados para execração, como Herodes e Nero.

 

Jesus certa vez, quando os apóstolos discutiam sobre quem era o maior, disse: “Os reis deste mundo oprimem e dominam, entre vós não seja assim, o maior é o que serve” (Mc 10,43). O rei na perspectiva bíblica é aquele que está perto de Deus e é dirigido por Ele. Está ao mesmo tempo perto do povo e o dirige com sabedoria, aproximando-se e servindo por amor.

 

O amor sempre existiu porque é o modo de ser de Deus. O mal e a maldade tiveram início e terão fim. O fim do mundo da maldade já começou com a morte de Cristo na cruz. Jesus, ao morrer na cruz começou a derrota do mal pelo amor capaz de dar a vida. Ele vence pelo amor sem combater e derrotar as pessoas. Se fizesse uma batalha contra os maus teria que usar as armas do mal. A única arma que Jesus usa é a do amor. O amor se impõe pela adesão, conversão, entrega da vida.

 

Quando estava na cruz zombavam dele: “se és rei, filho de Deus, salva-te a ti mesmo, desce da cruz”. Pensar em si, esta é a lógica do mundo que Jesus rejeitou. Se ele tivesse feito isto, não nos teria salvo. Teria usado seu poder divino para entrar na esfera do egoísmo. Mas ele pensou em nós, no testemunho de amor necessário à humanidade, que precisa de um Deus capaz de sofrer nossas dores até o fim, sendo solidário com a humanidade e salvando-a.

 

Ao lado de Jesus na cruz estavam dois ladrões. Um deles olhou para Jesus e compreendeu qual é o reino de Jesus, Servo não violento. Reino que é único e absoluto porque injeta no mundo o dinamismo da libertação. Nele introduz os valores da paz, justiça, fraternidade, o valor da pessoa humana. Estes valores são fermento de vida em plenitude. Jesus opta assim por um caminho de libertação mais radical e universal do que a libertação proposta pelas ideologias que se sucedem em derrocadas.

 

O “bom ladrão”, quem sabe, através do sofrimento e desilusões da vida, olhou para Jesus que tinha as mãos cravadas na cruz e assim mesmo lhe pediu: “Lembra-te de mim quando estiveres no teu Reino. E Jesus respondeu: hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43).

 

Este pecador arrependido, vê na cruz o trono deste rei que vem reinando nos corações através dos séculos. Esta é a visão da fé que somos chamados a ter, não só quando vemos Jesus no madeiro da cruz, mas também ao contemplá-lo em Belém, no madeiro da manjedoura.

E hoje, em meio aos pobres, nas periferias existenciais deste mundo.

 

* Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal Diário do Grande ABC

 

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