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Perguntas solicitadas pela CNBB a Dom Pedro Cipollini sobre a oitava da Páscoa

April 9, 2018

 

Reproduzimos aqui a entrevista concedida pelo Bispo da Diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini à CNBB que explicam a importância, significado e características da oitava da Páscoa. 

 

O que é a oitava da Páscoa? Quais as características?

Falar da oitava da Páscoa é falar sobre a Páscoa em si. A Festa da Páscoa é o coração, a raiz e o fundamento de nossa fé. Com o Domingo é o centro gravitacional de nossa experiência com Jesus, através do Mistério Pascal. Entende-se que a força Pascal é tão grande que o Domingo se desdobra em outros dias para comunicar a sua força. Deste modo são entendidos os cinquenta dias que seguem formando o Tempo Pascal. Mas dentre estes dias do Tempo Pascal, com especial atenção reservam-se oito dias para celebrar solenemente a Ressurreição de Cristo. Deste modo, a Oitava Pascal é, portanto, os primeiros oito dias do Tempo Pascal, iniciados no domingo após a Vigília da Ressurreição.

Acredita-se que a prática das oitavas remontam, no mínimo, ao começo do século IV, e mesmo até à segunda metade do século III, como é fácil de deduzir das homilias descobertas de Astério Sofita sobre os salmos. Astério chama o dia da oitava de “segundo ‘oitavo dia’”. Especula-se que foram introduzidas pela primeira vez por Constantino I, por conta da festa de dedicação das basílicas de Jerusalém e Tiro, que duraram oito dias. Depois disso, festas litúrgicas anuais passaram a ser observadas na forma de oitavas. Atualmente temos duas oitavas: a da Páscoa e a de Natal (já foram muitas, de tantas dividiam-se inclusive por categorias).

Na Oitava Pascal, a Igreja, comunidade do Ressuscitado, proclama solenemente que: “este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 118, 24). As características destes dias são: a alegria Pascal, o Hino de Louvor nas celebrações, o Círio aceso nos dias desta semana e os relatos evangélicos dos encontros com o Ressuscitado. Também antigamente os que eram batizados na Vigília portavam a veste branca durante toda oitava, retirando-a somente no domingo seguinte, o chamado Domingo in albis (em branco). Hoje o Domingo que conclui a oitava é o da Divina Misericórdia. Atente-se também que as antigas fontes batismais e tumbas cristãs tinham a forma de octógonos. O oitavo dia é o primeiro dia, o dia do Ressuscitado, no qual os que foram batizados tomaram parte.

 

Qual a importância da Oitava da Páscoa?

A importância da Oitava Pascal está em sua força catequética/litúrgica de trazer para o centro da celebração da Igreja o mistério da Ressurreição de Jesus Cristo. Isto através da Ressurreição como fato real garantido pelo testemunho dos Apóstolos, testemunho dado com a própria vida. A oitava faz a comunidade perceber que a Páscoa de Jesus continua na ação da Igreja, por isso na Oitava Pascal celebramos que todo dia se tornou Domingo e o Ressuscitado não é uma ideia, um conceito, uma memória, ou uma lenda, mas uma pessoa viva. 

 

Porque a Igreja estende este período pascal por oito dias?

A Igreja acredita que a Oitava Pascal convida-nos a fazer da nossa vida uma contínua Páscoa, um tempo de renovar a confiança no Senhor, colocando em suas mãos a nossa vida e o nosso destino. É um tempo para que, “se Ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são do alto (cf. Col 3,1), onde o Cristo está sentado à direita de Deus: tende gosto pelas coisas do alto, aleluia!”, como afirma a antífona de comunhão da terça-feira da oitava da Páscoa.

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